10.9.11

porque cada dia é uma conquista desta Escrevente


FRENTE AO INSTANTE DA DOR
ou (IN)SANIDADE

a Poeta
atarantada
de um lado para o outro
repete o que recém pensou
e de novo pensa de novo

e de novo
e de novo

a Vida lhe arrancou as vontades

a Poeta encarcerada
a Poeta dilacerada
a Poeta monocromática
em monopensamento possuída
murmura sua ladainha infinita:

- euvousobreviver euvousobreviver

(enquanto a Vida ri, olhando-a de viés)

(Curiosa)


7.9.11

porque a Escrevente reflete sobre a Poesia e a Morte

poesia não é uma inspiração momentânea sagrada, cuja escrita nunca deva ser alterada. não. já sabemos que os poetas mais famosos se deixaram ficar tempos e tempos buscando a palavra certa para o verso, para a rima; a palavra (que o poeta sabe existir) com a síntese completa do significado mais amplo para caber no verso. essa busca não se dá por vaidade ou algo do gênero, mas porque a poesia nada mais é do que a reflexão do poeta. e por vezes ele não chega onde gostaria, ou demora a chegar.

a poesia é uma inspiração nebulosa, que surge aos rompantes no pensamento. sabe-se que para pensar não usamos palavras e frases inteiras, mas fragmentos de ideias que bastam para nossa própria compreensão interna do momento. somente criamos frases quando falamos ou escrevemos, ou no uso de uma linguagem qualquer, para nos comunicarmos com outros. 

difícil definir uma inspiração. é uma vaga ideia a respeito de algo. eu (porque sempre falo a partir de mim) escrevo para ordenar os pensamentos. por vezes, pego uma dessas inspirações (as mais latentes) e tento colocá-la no papel. a temática fica na minha cabeça, sei o que sinto e o que gostaria de passar para a escrita em relação a ela, mas não visualizo o poema em palavras, ainda ... somente a ideia central. colocada esta ideia central na escrita, o restante das palavras vêm no exercício de reflexão acerca do tema. 

mas o importante a se dizer do poema, é o quanto ele me ajuda a pensar e resolver assuntos internos. e  imagino que assim seja para todo e qualquer poeta. quando digo:

TENTATIVA DE SUICÍDIO

entrou na banheira e
cortou sua razão
- rente à pele

minha ideia inicial foi, em um momento de extrema tristeza, escrever sobre suicídio (o que por si só já seria terapêutico) ...  partindo de uma temática negativa e pessimista, no decorrer da construção do poema, acabei elaborando que me suicidar era o mais irracional que poderia pensar ... e esta ideia foi a que prevaleceu na escrita de meu poema ... acho, inclusive, que saiu um poema positivo.

é isso que a poesia faz comigo, ajuda-me a elaborar (positivamente) minhas questões mais profundas. a prosa nem sempre me dá as devidas condições ou o tempo necessário para internalizar uma temática, como na poesia, que quando vinga, culmina na elaboração de uma nova síntese acerca do assunto.

o poema existe além e aquém da escrita; portanto, o poema nem sempre irá gerar algo escrito ...

entretanto, mesmo quando jogamos a ideia central de um poema no papel, pensamos a respeito, mas não conseguimos levar a escrita adiante, a reflexão estará feita. logo, o objetivo estará alcançado. a poesia ganhou. a poeta ganhou. por outro lado, assim que é escrito, o poema não tem mais nenhuma relação com seu criador. para ele existir terá que ser lido e refletido por outros, que o verão como poema, ou não. (mas essa questão daria um outro artigo, deixemos para outro dia)

enfim, poesia é síntese, antes de tudo.


4.9.11

porque a Escrevente vivencia seu pior período de vida


GÊNESE I

da desolação materna
verteu um universo

(Curiosa)

..



GÊNESE

do choro feminino
nasceu a Água

(Curiosa)

30.8.11

porque a Escrevente buscou ajuda do amado


O CORPO DO AMADO

teu corpo é templo
e somente nele encontro alento

teu peito
são nuvens
onde descanso
meus silêncios
meu gozo
meu choro
meu riso

tua voz é melodia
que dissipa minhas dores

teu ventre é ferro
que elabora a minha seiva

teu corpo é templo
e somente nele me encontro


(Curiosa)


29.8.11

porque vez em quando, a Escrevente se poeticida


POETICÍDIO

jogou o Verso
no precipício

espatifou-se
o Poema
ao chão

e a Poeta
- no mesmo instante
estrebuchou
disletrada


(Curiosa)

...


28.8.11

porque a Escrevente tem fome e não sabe de quê


MATANDO A FOME

o corpo
lhe exige o pão de cada dia 

e a Poeta lhe atira versos

sussurrando, enternecida:
- você acha que a Dor vem da matéria?

puah!
o rombo
que lhe arde no estômago
nasce na minha Filosofia,
mora no meu dia-a-dia,
e só morre com a minha Poesia.

(Curiosa)

..

15.8.11

porque a Escrevente goza na tarde ensolarada


SINCRONICIDADE

a tarde
assanhada
me seduz
refestelando
sóis e violetas

eu acedo
atardanhada
e me entrego
escregozando
odes e poemetas

(Curiosa)
..

10.8.11

porque a Escrevente queria escrever um Poema por dia

UM DIA DE CADA VEZ

fazer um poema por dia
(auto-promessa de epifania!)
evita ao coração a sangria
e da alma tira a agonia

(Curiosa)

9.8.11

porque a Escrevente busca manter a sanidade

SANIDADE

quando o vento
fizer bater a janela
bradando teu nome
em uivo doloroso
eu não ouvirei

quando a tarde
escrever teu nome
no amarelo do sol
em desespero luminoso
eu não olharei

quando a dor
esmorecer a esperança
chorando teu nome
em expurgo pesaroso
eu não amarei

(Curiosa)

2.8.11

porque a Escrevente traz uma questão filosófica

QUESTÃO FILOSÓFICA DO DIA

agora
quando ninguém me vê
eu existo mesmo?

..

geminiana não deveria morar sozinha .. nunca ...
é preciso comentar a Vida que lhe passa ...



16.7.11

a Escrevente ficou sem título mais uma vez


TEU RISO

ao som do riso
do amado
a Poeta
sai da analgesia
atira-se à ventania
embarca na fantasia
e  goza na Poesia

(Curiosa)

11.7.11

porque no Inverno, o corpo da Escrevente pede


MASTURBAÇÃO

pego o instante
e o enfeito

rosa-carmim
em nosso leito

e teu pensamento
´gozando em mim

(Curiosa)

..

quando está frio, eu quero dormir acompanhada ...
quero estar apaixonada ... fazer amor, emocionada ...
dormir aconchegada e acordar com uma trepada ...
(sorry pela rima pobre ... não resisti - porque é meu desejo ...)

o frio une a Humanidade ...


10.7.11

porque a Escrevente ama

TEU NOME

como um raio - pontiagudo e afiado
que mancha a Palavra a carmim
teu nome - quando pronunciado
crava um verso novo em mim

Curiosa

..



1.7.11

porque nem sempre a Escrevente ama o Outro



















o amor e a repulsa pululam lado a lado
entrelaçam-se-continua-mente
emaranhando-se
pelos pequenos atos
escoantes-e-apertados
da vida vivida

(Curiosa)



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