15.3.25

porque a Escrevente nem sempre sente o que escreve

EscreXISTINDO

quando
não consegue mais se reinventar
deslembrada de si

a Poeta escreve

quando
lhe sangra os olhos
e lhe seca o corpo
de dor ou de amor

a Poeta escreve

quando esquece
porque rompeu ou porque amava
ou porque sorria ou porque existia

a Poeta escreve

e escreve e escreve e escreve
em busca do não-dito
que lhe nomeie as lembranças
e lhe traga o escressentido

(Curiosa)

..

7.1.25

porque a Escrevente nunca é ela mesma

TRANSTORNO DISSOCIATIVO

poeto minha sombra 
mais que minha luz
meu luto 
mais que meu gozo
meus vícios 
mais que minha justeza

poeto meus Eus
mais que eu mesma




porque a Escrevente tem um insight Poético

METAPOÉTICA

o poema
existe por si só

vez que outra
conseguimos decifrá-lo
decodificando-o em palavras

o poema
é como o brilho de uma estrela:
quando nós o escrevemos
ele já não está mais lá

(Curiosa)

12.3.15

porque a Escrevente sente a Morte, a Vida e o Poema - vez em quando

NOTA DE FALECIMENTO

teve vasculhadas as gavetas
desvendados os segredos
despidos os versos

nua, por fim - percebeu
estava morta

morta-viva
na fenda do tempo habitado de si

(passeavam as moscas)

o corpo - as coisas as moscas
- a vida - seguia sem ela
no poema

Curiosa da Vida

Fotografia de Ramsés Albertoni

11.10.14

porque a Escrevente procura palavras


 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTA DE FALECIMENTO

um último verso composto
o atingiu de forma fatal

falava
em tempos infinitos
amores eternos
colos maternos

olhos nos olhos

um último verso
aconchegante e devastador
revelava vida após a vida
da vida
que depois de dita
consumada
existida
deixava o nada
preenchido do todo

um último verso:
o que nomeio não me comporta

11.9.14

porque a Escrevente quer voltar



ENVELHECER

o olhar matreiro
derrotado pela pálpebra caída

foi perdendo um jeito de ver as coisas que possuía

Curiosa





16.6.14

porque a Escrevente é um eterno devir

há gentes batendo na porta?
diga que estou ocupada

- que talho em abstrato
minha face
com memórias do nada

que concebo sonhos e ilusões
com palha e cristal

impossíveis

diga que metamorfoseio
palavras
para alimentar-me
do humano

em mim

diga, diga às gentes
que amanhã serei eu

que voltem a bater

(Curiosa)

27.5.14

porque a Escrevente ... ficou sem título ...


queria morrer
mas entrevia um poema

queria escrever
mas lhe morria o poema

queria morrer
mas entrevia um poema


(Curiosa)

17.5.14

porque a Escrevente procura jutificativas para se manter viva

JUSTIFICATIVA DE CONTINUIDADE DE EXISTÊNCIA NESTE MUNDO INJUSTO ou POR QUE NÃO ME SUICIDEI AINDA ou DA HUMANIDADE

existo para contradizer o que vivo
poeto para testificar o que sinto
partilho para perseverar no que somos


12.5.14

porque a Escrevente ... pensa na Morte ....

AUTO-EPITÁFIO

sangrava todos os meses
por isso lhe sabiam mulher

escrevia vez em quando
por isso lhe sabiam viva


9.5.14

porque a Escrevente não se reconhece em nenhuma de si

AUTO-EPICÉDIO ou DO HUMANO ou TRANSTORNO DISSOCIATIVO ou ...

crescera com uma ausência
uma falta uma sede uma aflição
como se lhe rareasse o ar a cada instante:
o mundo carecia de algo!

procurara em todos os olhos
em todos os abraços em todas as palavras
e nada

seguia
acossada inquieta encolhida
dissociada da matéria que carregava

vivia
vivia e procurava

uma lembrança
uma só lembrança que a lembrasse quem era
antes de ser o que fosse
antes de ser o que era
antes de ser o que estava


18.12.13

porque a Escrevente não esquece de lembrar da Morte

SE EU MORRESSE HOJE ou DAS FUTILIDADES HUMANAS

a gaveta do escritório desorganizada
uma unha ainda encravada
um presunto vencido na geladeira
minha blusa preferida: na costureira
- com que roupa seria enterrada?!

Curiosa da Vida




23.9.13

porque a Primavera ilumina a poeta

EQUINÓCIO da PRIMAVERA

dia e noite do mesmo tamanho

sua sombra do tamanho dela mesma
sua fome do tamanho da sua morte
sua vida do tamanho do seu nada

mas
a cada dia
o dia maior que a noite
a luz maior que a sombra
a fome maior que a vida

ela mesma
maior que a morte

desabrocha a poeta
do tamanho da Primavera

(Curiosa da Vida)




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